26 de fev de 2010

Caio F. por Caio F.

Caio Fernando Abreu nasceu em Santiago, interior do Rio Grande do Sul, em 12 de setembro de 1948. Nesta época, a cidade tinha cerca de dez mil habitantes.
Começou a escrever ficção com seis anos de idade, e por volta dos onze anos começou a ganhar concursos de contos que ocorriam na cidade, sentindo-se mais próximo da realidade dos escritores: “comecei a descobrir que escritores existiam”.
Saiu de Santiago em 1964 e em 1968 estava em são Paulo. A urbanidade em suas obras vem principalmente do choque entre Santiago e São Paulo, ao qual Caio se referia como “choque do jeca”.
Não se arrependeu de nada. Fez questão de, em sua vida, correr absolutamente todos os riscos: “tudo que a minha geração fez, eu fiz radicalmente até o fim. Eu fui garçom, eu fui preso, eu fui rippie, então eu fui sendo um pouco porta voz destas pessoas, eu fui contando a história delas”.
Segundo Caio “este plano aqui terrestre é passagem, nada do que acontece aqui importa muito, o que importa é nascer, importa é morrer e eu gosto de estar vivo, e eu acho que isto é sinônimo de ser feliz”.
Em 1995, Caio foi convidado para ser patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, o que considerou “uma reciprocidade do amor que eu sinto não só pelos livros, mas do amor que eu sinto pela cidade de Porto Alegre”, sentindo-se “plenamente correspondido nesta relação”.
Para Caio, a “literatura é boa quando alguma coisa dela se aplica a vida do leitor para torná-la de alguma forma melhor”.
Ao falar de seu processo de escrita o autor afirma: “É uma espécie de loucura sob controle, porque ela tá sendo filtrada pelo texto”, diz que as vezes utiliza-se de recursos cinematográficos “um imaginar onde está a câmera, de que ponto de vista está sendo visto aquilo que acontece”.
A literatura de Caio é basicamente urbana. Ao falar de seu livro de contos Ovelhas Negras, o autor afirma: “eu acho que na grande cidade todas as emoções e todos os mistérios das pessoas se diluem muito, então, quando uma personagem minha não tem nome é porque ela é muita gente e um nome a tornaria demasiado individual”.
Caio entregava seus trabalhos a organização do inconsciente: “as vezes vem de uma frase mesmo, uma frase sonora, eu chamo de 'frases imã' , vão agregando outras imagens, outras coisas”. Ele levou aproximadamente treze anos tentando escrever Onde andará Dulce Veiga? “até que um dia, numa fila de banco, veio a primeira frase, era ‘eu deveria cantar’ e o livro saiu em dois meses”. Segundo ele, foi o livro que deu mais trabalho, o qual teve muito medo de não conseguir escrever.
Caio faleceu em 25 de fevereiro de 1996, em Porto Alegre.
Fonte: Entrevista com Caio Fernando Abreu em Vídeos ClicRBS.